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| Ator interpretou Calvera, em Sete Homens e Um Destino |
Este espaço é sobre cinema clássico, de obras consagradas a esquecidas. Dedico a meus pais, que, nas longínquas noites de Santa Maria (RS) do final dos anos 70 e início dos 80, permitiam que eu visse filmes na TV. Foi quando descobri o grande espetáculo – Ben-Hur, Cleópatra, El Cid, Lawrence da Arábia, Doutor Jivago. Parafraseando o escritor argentino Jorge Luis Borges, foram os primeiros que vi, e, possivelmente, serão os últimos.
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Eli Wallach
Soube hoje da morte do grande ator americano Eli Wallach, aos 98 anos. Ficou famoso ao interpretar papéis de bandidos mexicanos nos clássicos Sete Homens e Um Destino (1960), de John Sturges, e Três Homens em Conflito (1966), de Sergio Leone. Fica aqui a lembrança do blog.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Sissi
Bela e talentosa, a atriz Romy Schneider alcançou fama internacional em Sissi (idem, Áustria, 1955), história da jovem monarca austríaca Elisabeth. O filme teve duas continuações, formando uma trilogia: Sissi, a Imperatriz (1956), e Sissi e Seu Destino (1957). A romântica saga foi dirigida e roteirizada por Ernst Marischka.
Em 1853, a arquiduquesa Sofia (Vilma Degischer) procura uma esposa para o filho Franz Joseph I (Karlheinz Böhm). A escolhida é a princesa Helena da Baviera (Uta Franz), prima de Franz e irmã mais velha de Sissi (à época, Romy tinha 17 anos). Franz, ignorando a verdadeira identidade de Sissi, apaixona-se pela jovem. Após saber quem é a heroína, rompe o noivado com Helena e declara, publicamente, o desejo de se casar com a outra prima.
A decisão contraria a mãe de Sissi, princesa Ludovica da Baviera (Magda Schneider, mãe de Romy na vida real). Sobretudo, enfurece Sofia, que vê em Sissi apenas uma adolescente mal-educada, incapaz de assumir o trono de Viena. Só a persistente vontade do imperador pode garantir o futuro do casal.
A ingenuidade, digamos, de Sissi é compensada pelo carisma. Por onde passa, a personagem parece quebrar os dogmas comportamentais da corte dos Habsburgo, dinastia que tem os dias contados na Europa das revoluções do século 19 e da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
Num momento inicial, pode parece apenas uma obra amorosa, de cenários deslumbrantes e piadas leves, em clima de opereta e de valsas de Strauss. Mas Sissi, indiscutivelmente, é mais do que isso. Marischka procurou retratar – sem rígida fidelidade – um período da história austríaca. Menções ao niilismo, a atos de terrorismo, à problemática das nacionalistas (húngara, croata etc.) proporcionam à película componentes políticos relevantes.
PS: Minha mãe, Noecy, a quem devo muito do meu gosto pelo cinema, era fã da trilogia de Sissi. Aliás, como se vê, com razões de sobra.
Em 1853, a arquiduquesa Sofia (Vilma Degischer) procura uma esposa para o filho Franz Joseph I (Karlheinz Böhm). A escolhida é a princesa Helena da Baviera (Uta Franz), prima de Franz e irmã mais velha de Sissi (à época, Romy tinha 17 anos). Franz, ignorando a verdadeira identidade de Sissi, apaixona-se pela jovem. Após saber quem é a heroína, rompe o noivado com Helena e declara, publicamente, o desejo de se casar com a outra prima.
A decisão contraria a mãe de Sissi, princesa Ludovica da Baviera (Magda Schneider, mãe de Romy na vida real). Sobretudo, enfurece Sofia, que vê em Sissi apenas uma adolescente mal-educada, incapaz de assumir o trono de Viena. Só a persistente vontade do imperador pode garantir o futuro do casal.
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| Romy Schneider alcançou fama na inesquecível trilogia |
A ingenuidade, digamos, de Sissi é compensada pelo carisma. Por onde passa, a personagem parece quebrar os dogmas comportamentais da corte dos Habsburgo, dinastia que tem os dias contados na Europa das revoluções do século 19 e da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
Num momento inicial, pode parece apenas uma obra amorosa, de cenários deslumbrantes e piadas leves, em clima de opereta e de valsas de Strauss. Mas Sissi, indiscutivelmente, é mais do que isso. Marischka procurou retratar – sem rígida fidelidade – um período da história austríaca. Menções ao niilismo, a atos de terrorismo, à problemática das nacionalistas (húngara, croata etc.) proporcionam à película componentes políticos relevantes.
PS: Minha mãe, Noecy, a quem devo muito do meu gosto pelo cinema, era fã da trilogia de Sissi. Aliás, como se vê, com razões de sobra.
segunda-feira, 31 de março de 2014
Golpe de 1964
O golpe militar no Brasil completa hoje 50 anos, sem a punição dos assassinos e torturadores a serviço do regime. Quero destacar um ótimo filme, que ajuda a compreender o período – que jamais deve ser esquecido – da ditadura militar: Pra Frente, Brasil (idem, Brasil, 1982), dirigido por Roberto Faria. Arbítrio, tortura, homicídio, participação de empresários na máquina repressora são aspectos abordados na obra.
Em 1970, ano da Copa no México, Jofre (Reginaldo Faria) é confundido com um "subversivo". Preso, passa por sucessivas sessões de tortura. O principal algoz é o sádico – o sádico – Barreto, interpretado por Carlos Zara. O irmão de Jofre, Miguel (Antônio Fagundes), e a mulher dele, Marta (Natália do Valle), tentam descobrir o paradeiro da vítima.
Inicialmente, a película foi censurada pelo regime. Posteriormente, foi liberado pelo Judiciário. Passou nos cinemas em 1983.
Em 1970, ano da Copa no México, Jofre (Reginaldo Faria) é confundido com um "subversivo". Preso, passa por sucessivas sessões de tortura. O principal algoz é o sádico – o sádico – Barreto, interpretado por Carlos Zara. O irmão de Jofre, Miguel (Antônio Fagundes), e a mulher dele, Marta (Natália do Valle), tentam descobrir o paradeiro da vítima.
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| Pra Frente, Brasil é referência para compreender o período da ditadura |
Inicialmente, a película foi censurada pelo regime. Posteriormente, foi liberado pelo Judiciário. Passou nos cinemas em 1983.
terça-feira, 18 de março de 2014
A Volta ao Mundo em 80 Dias
Uma das melhores adaptações para o cinema da obra do francês Júlio Verne (1828-1905) teve David Niven e Cantinflas nos papéis principais. Codirigido por Michael Anderson, Kevin McClory e Sidney Smith, A Volta ao Mundo em 80 Dias (Around the World in Eighty Days, Estados Unidos, 1956) diverte o espectador do início ao fim.
No ambiente vitoriano do século 19, Niven é enigmático e fleumático cavalheiro inglês Phileas Fogg, que tem sua rotina diária rigidamente prevista e cronometrada. O personagem integra o austero Clube Reformador, onde passa o dia jogando cartas. Ele aposta com colegas de baralho que é possível, com o avanço dos meios de transporte, percorrer a Terra em 80 dias. À época, façanha inimaginável, menos para o determinado Mr. Fogg. Acompanhado pelo incrédulo criado Passepartout, interpretado pelo comediante mexicano Cantinflas, Fogg inicia a longa jornada. Se fracassar, perderá sua fortuna.
O itinerário dos heróis não corresponde examente ao livro, mas isso não enfraquece em nada a película. Londres, canal de Suez, Bombaim, Calcutá, Hong Kong, Yokohama, São Francisco, Nova York, Londres. Balão – isto não tem no texto de Verne –, trem, navio, elefante são utilizados para levá-los à frente.
O impávido Fogg e o intrépido Passepartout enfrentam perigos e contratempos, muitos capazes de inviabilizar a meta. Com coragem, inteligência e muito dinheiro, ambos avançam por dimensões continentais, enquanto o tempo escorre. No caminho, ganham a companhia da jovem princesa indiana Aouda (Shirley MacLaine) e do inspetor Fix (Robert Newton), que, sem revelar seu segredo, persegue Fogg por supô-lo ladrão de banco.
Marlene Dietrich, John Carradine, Frank Sinatra, Peter Lorre e Buster Keaton participam do elenco dessa superprodução. A Volta ao Mundo em 80 Dias venceu em cinco categorias o Oscar de 1957: melhor filme (concorreu com O Rei e Eu e Os Dez Mandamentos), montagem, roteiro adaptado, trilha sonora e fotografia.
No ambiente vitoriano do século 19, Niven é enigmático e fleumático cavalheiro inglês Phileas Fogg, que tem sua rotina diária rigidamente prevista e cronometrada. O personagem integra o austero Clube Reformador, onde passa o dia jogando cartas. Ele aposta com colegas de baralho que é possível, com o avanço dos meios de transporte, percorrer a Terra em 80 dias. À época, façanha inimaginável, menos para o determinado Mr. Fogg. Acompanhado pelo incrédulo criado Passepartout, interpretado pelo comediante mexicano Cantinflas, Fogg inicia a longa jornada. Se fracassar, perderá sua fortuna.
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| David Niven interpreta Philleas Fogg e Cantinflas, Passepartout |
O itinerário dos heróis não corresponde examente ao livro, mas isso não enfraquece em nada a película. Londres, canal de Suez, Bombaim, Calcutá, Hong Kong, Yokohama, São Francisco, Nova York, Londres. Balão – isto não tem no texto de Verne –, trem, navio, elefante são utilizados para levá-los à frente.
O impávido Fogg e o intrépido Passepartout enfrentam perigos e contratempos, muitos capazes de inviabilizar a meta. Com coragem, inteligência e muito dinheiro, ambos avançam por dimensões continentais, enquanto o tempo escorre. No caminho, ganham a companhia da jovem princesa indiana Aouda (Shirley MacLaine) e do inspetor Fix (Robert Newton), que, sem revelar seu segredo, persegue Fogg por supô-lo ladrão de banco.
Marlene Dietrich, John Carradine, Frank Sinatra, Peter Lorre e Buster Keaton participam do elenco dessa superprodução. A Volta ao Mundo em 80 Dias venceu em cinco categorias o Oscar de 1957: melhor filme (concorreu com O Rei e Eu e Os Dez Mandamentos), montagem, roteiro adaptado, trilha sonora e fotografia.
quarta-feira, 5 de março de 2014
A Marca do Zorro
O astro Tyrone Power
é o protagonista de A Marca do Zorro (The Mark of Zorro, Estados
Unidos, 1940), sucesso de público e crítica. A obra, dirigida por
Rouben
Mamoulian (O
Médico e o Monstro, versão de 1931),
é remake do filme mudo, estrelado por Douglas
Fairbanks, em
1920.
A
história transcorre na Califórnia, no século 19. Power interpreta
don Diogo Vega, filho de um rico fazendeiro. Após retornar da
Espanha, Diogo encontra seu povo oprimido pelo novo governo. Castigos
corporais e impostos exorbitantes fazem parte do cotidiano.
Diogo decide defender a população contra o arbítrio estatal. Assim, assume a identidade de Zorro, fora-da-lei que combate a tirania. Finge afetação, a fim de evitar suspeitas. Vestido de negro, com o rosto coberto, Zorro empunha a espada da justiça.
Diogo decide defender a população contra o arbítrio estatal. Assim, assume a identidade de Zorro, fora-da-lei que combate a tirania. Finge afetação, a fim de evitar suspeitas. Vestido de negro, com o rosto coberto, Zorro empunha a espada da justiça.
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| Filme, lançado em 1940, foi sucesso de público e crítica |
No
ritmo de trepidantes cavalgadas, o personagem enfrenta contra os
soldados e apaixona-se pela bela Lolita
Quintero (Linda
Darnell), sobrinha do... governador don Luis Quintero (J. Edward
Bromberg). O principal adversário de Zorro é o capitão Esteban
Pasquale (Basil Rathbone, um dos grandes vilões do cinema, sobretudo
quando se trata de capa e espada). O duelo de esgrima entre os dois
representa o momento mais aguardado da película.
A
Marca do Zorro conduz imediatamente ao longa As Aventuras de Robin
Hood (1938), com Errol
Flynn. As presenças de Eugene
Pallette e
Rathbone, respectivamente, frei Tuck e sir
Guy de Gisbourne em
Robin Hood, e o tema da luta do povo contra a opressão do governante
fundamentam o paralelo.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
O Mais Longo dos Dias
O tema é grandioso. O elenco, idem: John Wayne, Robert Mitchum, Henry Fonda, Richard Burton, Mel Ferrer, Sean Connery, Rod Steiger, Edmond O'Brien, Peter Lawford, Robert Ryan, Sal Mineo, Arletty. O Mais Longo dos Dias (The Longest Day, Estados Unidos, 1962) mostra a dramaticidade e a dimensão do Dia D, a invasão aliada da Normandia, em 6 de junho de 1944, dando início à libertação da França ocupada pelos nazistas.
A superprodução teve três diretores: Ken Annakin, responsável pela parcela britânica; Andrew Marton, pela americana; e Bernhard Wicki, pela alemã. Entre os roteristas, o jornalista Cornelius Ryan, autor do livro – homônimo – que originou o filme, autêntico épico. O Mais Longo dos Dias venceu o Oscar nas categorias de efeitos especiais e fotografia preto e branco.
A Segunda Guerra Mundial atrevessa o penúltimo ano. Na frente oriental, o Exército Vermelho avança. O colosso soviético esmaga a Wehrmacht, que, ao recuar, deixa rastro de morte, destruição e crimes. No lado ocidental, os aliados buscam uma nova frente. O local escolhido foi a região da Normandia, no Norte da França, a fim de quebrar a Muralha do Atlântico e acelerar o colapso do Terceiro Reich.
A película, de 178 minutos, retrata com precioso realismo a maior operação anfíbia da história. O assombroso aparecimento da frota aliada no horizonte; as tropas de assalto desembarcando sob fogo intenso; a feroz luta na praia de Omaha e no rochedo de Pointe du Hoc; os paraquedistas que caem no meio da cidade de Sainte-Mère-Église – um deles fica pendurado no telhado da igreja. Estas e outras cenas são conduzidas com maestria, expondo a crueza dos combates e elementos humanos que coexistem no calor da batalha – coragem, medo, audácia, determinação.
As melhores sequências de O Resgate do Soldado Ryan (1998), de Steven Spielberg, ocorrem no momento nas areias normandas. Com recursos modernos, Spielberg recria, de forma sensacional, o desembarque aliado.
A superprodução teve três diretores: Ken Annakin, responsável pela parcela britânica; Andrew Marton, pela americana; e Bernhard Wicki, pela alemã. Entre os roteristas, o jornalista Cornelius Ryan, autor do livro – homônimo – que originou o filme, autêntico épico. O Mais Longo dos Dias venceu o Oscar nas categorias de efeitos especiais e fotografia preto e branco.
A Segunda Guerra Mundial atrevessa o penúltimo ano. Na frente oriental, o Exército Vermelho avança. O colosso soviético esmaga a Wehrmacht, que, ao recuar, deixa rastro de morte, destruição e crimes. No lado ocidental, os aliados buscam uma nova frente. O local escolhido foi a região da Normandia, no Norte da França, a fim de quebrar a Muralha do Atlântico e acelerar o colapso do Terceiro Reich.
A película, de 178 minutos, retrata com precioso realismo a maior operação anfíbia da história. O assombroso aparecimento da frota aliada no horizonte; as tropas de assalto desembarcando sob fogo intenso; a feroz luta na praia de Omaha e no rochedo de Pointe du Hoc; os paraquedistas que caem no meio da cidade de Sainte-Mère-Église – um deles fica pendurado no telhado da igreja. Estas e outras cenas são conduzidas com maestria, expondo a crueza dos combates e elementos humanos que coexistem no calor da batalha – coragem, medo, audácia, determinação.
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| Dia D foi levado às telas em superprodução de 1962 |
As melhores sequências de O Resgate do Soldado Ryan (1998), de Steven Spielberg, ocorrem no momento nas areias normandas. Com recursos modernos, Spielberg recria, de forma sensacional, o desembarque aliado.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Lola Montès
Lola Montès (Lola Montès, França, 1955), do diretor alemão Max Ophuls, causou perplexidade quando foi lançado. Narrativa barroca e fragmentada, o drama desenha a trajetória da dançarina exótica e cortesã do século 19 Lola Montez (Martine Carol), que colecionou amantes como outras arrecadam joias. O compositor Franz Liszt e o rei da Baviera Luís I estão no rol das conquistas mais conhecidas.
A história de Lola é contada em um picadeiro, desde a adolescência difícil até o apogeu e queda. O mestre de cerimônias, interpretado por Peter Ustinov, afirma que a personagem, mulher dotada de extrema beleza, é mais perigosa do que qualquer fera enjaulada no circo. Autêntica femme fatale, ela sabe utilizar a sedução para sobrevivier e triunfar na vida.
Por padrões conservadores – mesmo atuais –, a vida de Lola feriu padrões de comportamento. Além da existência amorosa agitada, provocou polêmica ao adotar o estilo flamenco e fumar charutos – foi a primeira mulher na Europa a consumir os cubanos. Assim como astros da música pop, Lola sabia que o escândalo, a provocação, também gera dinheiro.
As cenas que envolvem Lola e o monarca são marcantes. Merecem menção duas. Primeiro, aquela em que o governante escolhe, com critério sui generis, o artista que pintará o quadro da musa, nomeada condessa de Landsfeld. Depois, a da agitação revolucionária de 1848, a chamada Primavera dos Povos.
Max Ophuls, nascido Maximillian Oppenheimer em 1902, na Alemanha, foi um grande esteta do cinema, da mesma maneira que Luchino Visconti. Tal qual o italiano, dedicou-se ao teatro. Ophuls assinou clássicos da tela, como Carta de Uma Desconhecida (1948) e Coração Prisioneiro (1949). Com o advento do nazismo, saiu da Alemanha. Lola Montès foi seu último filme.
A história de Lola é contada em um picadeiro, desde a adolescência difícil até o apogeu e queda. O mestre de cerimônias, interpretado por Peter Ustinov, afirma que a personagem, mulher dotada de extrema beleza, é mais perigosa do que qualquer fera enjaulada no circo. Autêntica femme fatale, ela sabe utilizar a sedução para sobrevivier e triunfar na vida.
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| Vida da famosa dançarina foi contada em um picadeiro |
Por padrões conservadores – mesmo atuais –, a vida de Lola feriu padrões de comportamento. Além da existência amorosa agitada, provocou polêmica ao adotar o estilo flamenco e fumar charutos – foi a primeira mulher na Europa a consumir os cubanos. Assim como astros da música pop, Lola sabia que o escândalo, a provocação, também gera dinheiro.
As cenas que envolvem Lola e o monarca são marcantes. Merecem menção duas. Primeiro, aquela em que o governante escolhe, com critério sui generis, o artista que pintará o quadro da musa, nomeada condessa de Landsfeld. Depois, a da agitação revolucionária de 1848, a chamada Primavera dos Povos.
Max Ophuls, nascido Maximillian Oppenheimer em 1902, na Alemanha, foi um grande esteta do cinema, da mesma maneira que Luchino Visconti. Tal qual o italiano, dedicou-se ao teatro. Ophuls assinou clássicos da tela, como Carta de Uma Desconhecida (1948) e Coração Prisioneiro (1949). Com o advento do nazismo, saiu da Alemanha. Lola Montès foi seu último filme.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Esses Homens Maravilhosos e Suas Máquinas Voadoras
Comecei o ano de 2014 bem: revi a leve e empolgante comédia Esses Homens Maravilhosos e Suas Máquinas Voadoras (Those Magnificent Men in Their Flying Machines or How I Flew from London to Paris in 25 hours 11 minutes, Reino Unido, 1965). Dirigido por Ken Annakin, o filme narra a corrida aérea entre Londres e Paris em 1910, nos tempos da aviação primitiva. À época, atravessar pelo ar o canal da Mancha, porção de água que separa as terras britânicas das francesas, representava grande feito para frágeis aparelhos.
O proprietário de um jornal britânico decide patrocinar uma disputa com os principais aviadores do mundo. O vencedor ganha dez mil libras esterlinas. Comparecem os representantes da Inglaterra, Richard Mays (James Fox), dos Estados Unidos, Orvil Newton (Stuart Whitman), da Itália, conde Emilio Ponticelli (Alberto Sordi), da França, Pierre Dubois (Jean-Pierre Cassel), da Alemanha, coronel Manfred von Holstein (Gert Fröbe, o Goldfinger da série 007), e outros. Entre eles, o impagável vilão sir Percy Ware-Armitage, interpretado por Terry-Thomas – Dick Vigarista é inspirado no típico personagem do ator. Além do prêmio, o inglês e o americano disputam o amor da esperta Patricia Rawnsley (Sarah Miles), filha do empresário.
Aeronaves estranhas estão prontas para decolar... ou nem tanto. Em ritmo burlesco, ocorrem uma sequência trapalhadas, com acidentes risíveis. A música e o enlouquecido carro dos bombeiros transportam o espectador para o picadeiro. Nessa atmosfera circense, o cineasta homenageia as comédias mudas dos anos 10.
Nesse "protótipo" do desenho Corrida Maluca, os melhores momentos ficam por conta das trapaças de sir Percy e dos embustes que a equipe francesa aplica na germânica, composta por "legítimos soldados e oficiais prussianos".
Após o sucesso da película, Annikin realizou Os Intrépidos Homens e Seus Calhambeques Maravilhosos, em 1969. Com Tony Curtis, Jack Hawkins e Terry-Thomas no elenco, a versão de rali não teve o mesmo êxito do seu ancestral.
O proprietário de um jornal britânico decide patrocinar uma disputa com os principais aviadores do mundo. O vencedor ganha dez mil libras esterlinas. Comparecem os representantes da Inglaterra, Richard Mays (James Fox), dos Estados Unidos, Orvil Newton (Stuart Whitman), da Itália, conde Emilio Ponticelli (Alberto Sordi), da França, Pierre Dubois (Jean-Pierre Cassel), da Alemanha, coronel Manfred von Holstein (Gert Fröbe, o Goldfinger da série 007), e outros. Entre eles, o impagável vilão sir Percy Ware-Armitage, interpretado por Terry-Thomas – Dick Vigarista é inspirado no típico personagem do ator. Além do prêmio, o inglês e o americano disputam o amor da esperta Patricia Rawnsley (Sarah Miles), filha do empresário.
Aeronaves estranhas estão prontas para decolar... ou nem tanto. Em ritmo burlesco, ocorrem uma sequência trapalhadas, com acidentes risíveis. A música e o enlouquecido carro dos bombeiros transportam o espectador para o picadeiro. Nessa atmosfera circense, o cineasta homenageia as comédias mudas dos anos 10.
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| Ator Terry-Thomas interpreta inesquecível vilão |
Nesse "protótipo" do desenho Corrida Maluca, os melhores momentos ficam por conta das trapaças de sir Percy e dos embustes que a equipe francesa aplica na germânica, composta por "legítimos soldados e oficiais prussianos".
Após o sucesso da película, Annikin realizou Os Intrépidos Homens e Seus Calhambeques Maravilhosos, em 1969. Com Tony Curtis, Jack Hawkins e Terry-Thomas no elenco, a versão de rali não teve o mesmo êxito do seu ancestral.
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Fúria
Justiça é o tema central de Fúria (Fury, Estados Unidos, 1936). O drama, dirigido por Fritz Lang – que havia deixado a Alemanha nazista –, marca o início da fase americana do realizador dos clássicos Metropolis (1927) e M, o Vampiro de Düsseldorf (1931). A interpretação de Spencer Tracy, no papel de Joe Wilson, faz jus ao grande astro de Hollywood. Cito de memória: em Cinema Paradiso, Alfredo diz uma frase que Spencer Tracy falou, se não me engano, em a Fúria.
Joe quer ganhar o dia a dia honestamente e casar-se com a doce Katherine Grant (Sylvia Sidney). Planos feitos, hora de juntar dinheiro. Às vésperas do matrimônio, o rumo da trama muda drasticamente quando o personagem de Spencer é preso, suspeito de participar do sequestro de uma garota.
A informação passa de boca em boca, de ouvido a ouvido, de fofoca a fofoca. Assume proporção gigantesca. Populares "respeitáveis", dispostos a fazer o que chamam de "justiça", se dirigem à delegacia de polícia onde o xerife mantém Joe detido. A turba quer linchar o homem.
Sedenta de liquidar o suposto criminoso, a multidão invade e coloca fogo no prédio, a fim de queimá-lo vivo. Acuado e desesperado na cela, Joe é alvo do vilipêndio da massa ensandecida, enquanto as chamas consomem o local protegido pelos agentes da lei. Todos pensam que ele morreu. Contudo, sobrevive e deseja vingança contra os moradores da pequena cidade.
Inocente ou culpado, a vítima do linchamento é vítima de delinquentes, de pessoas que romperam as normais legais. Qual é a justiça que se pretender construir e defender, pode-se perguntar a partir da película de Lang. A do Estado Democrático de Direito – conquista histórica da civilização ocidental – ou a de talião, a retaliação do dente por dente, olho por olho? Lang não deixa dúvidas.
Joe quer ganhar o dia a dia honestamente e casar-se com a doce Katherine Grant (Sylvia Sidney). Planos feitos, hora de juntar dinheiro. Às vésperas do matrimônio, o rumo da trama muda drasticamente quando o personagem de Spencer é preso, suspeito de participar do sequestro de uma garota.
A informação passa de boca em boca, de ouvido a ouvido, de fofoca a fofoca. Assume proporção gigantesca. Populares "respeitáveis", dispostos a fazer o que chamam de "justiça", se dirigem à delegacia de polícia onde o xerife mantém Joe detido. A turba quer linchar o homem.
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| Turba quer linchar o personagem vivido por Spencer Tracy |
Inocente ou culpado, a vítima do linchamento é vítima de delinquentes, de pessoas que romperam as normais legais. Qual é a justiça que se pretender construir e defender, pode-se perguntar a partir da película de Lang. A do Estado Democrático de Direito – conquista histórica da civilização ocidental – ou a de talião, a retaliação do dente por dente, olho por olho? Lang não deixa dúvidas.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Joan Fontaine
Mais uma perda para a sétima arte. A atriz britânica-americana Joan Fontaine morreu no domingo, aos 96 anos. Bela e talentosa, foi um dos ícones do cinema nos anos 40. Irmã de Olivia de Havilland, estrelou filmes notáveis, como Rebecca, a Mulher Inesquecível (1940) e Carta de Uma Desconhecida (1948).
domingo, 15 de dezembro de 2013
Peter O'Toole
Morreu no sábado, aos 81 anos, o ator irlandês Peter O'Toole. O óbito foi noticiado ontem. Ele interpretou o papel principal no monumental Lawrence da Arábia (1962), o que imortalizou seu nome no cinema. Atuou em outros clássicos, como O Leão no Inverno (1968) e Como Roubar Um Milhão de Dólares (1966).
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| Ator viveu o atormentado oficial britânico T.E. Lawrence |
sábado, 7 de dezembro de 2013
Dica do final de semana (6): Os Deuses Malditos
Os Deuses Malditos (La Caduta Degli Dei, Estados Unidos-Itália, 1969), de Luchino Visconti, mostra o papel fundamental que o grande capital teve no fortalecimento do nazismo. Por meio da história de uma família aristocrática alemã, o diretor italiano mostra a contribuição financeira de empresários ao partido de Hitler.
Visconti, em cena impactante, retrata a Noite dos Longos Punhais, expurgo que ocorreu em 1934 nas fileiras da extrema-direita. Decadência moral, terror e mortes se misturam.
Dirk Bogarde, Helmut Berger e Ingrid Thulin compõem o elenco. Dois anos depois, Bogarde protagonizou Morte em Veneza, do mesmo realizador.
Visconti, em cena impactante, retrata a Noite dos Longos Punhais, expurgo que ocorreu em 1934 nas fileiras da extrema-direita. Decadência moral, terror e mortes se misturam.
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| Bogarde atua no filme de Visconti, um dos mestres do cinema mundial |
Dirk Bogarde, Helmut Berger e Ingrid Thulin compõem o elenco. Dois anos depois, Bogarde protagonizou Morte em Veneza, do mesmo realizador.
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Mais Forte que a Vingança
As Montanhas Rochosas são o cenário do belo western Mais Forte que a Vingança (Jeremiah Johnson, Estados Unidos, 1972), estrelado por Robert Redford. Dirigido por Sydney Pollack, é apelo à vida junto à natureza, ao homem rousseauniano.
Jeremiah Johnson (Redford) é um vetereno do exército americano. Desiludido com a civilização, resolve se afastar e viver como montanhês, alimentando-se da caça e da pesca. O inverno, com a intensa neve, é prova fundamental no "rito de passagem" de Johnson, que ainda não tem aptidão suficiente para enfrentar as dificuldades da situação. Não basta bom rifle, farta munição – logo ele saberá disso.
O personagem principal encontra o velho caçado Bear Claw (Will Geer), que o ensina os macetes do cotidiano. Agora, está preparado para seguir sozinho. O caminho de Johnson o leva a contatos com nativos e a acolher uma índia e um órfão, formando autêntica família. O pedaço de felicidade, contudo, é quebradiço. Johnson terá de se vingar de quem fez mal a ele.
Na película, Pollack centra a atenção no indivíduo, na sua singularidade radical. Encontrou em Redford um intérprete notável, que, em Mais Forte que a Vingança, representa marcante papel. O filme foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes, na França.
Ator, produtor e diretor, Pollack realizou obras famosas. Algumas: Três Dias do Condor (1975), Tootsie (1982) e Entre Dois Amores (1985). O primeiro e o terceiro títulos com a participação de Redford.
Jeremiah Johnson (Redford) é um vetereno do exército americano. Desiludido com a civilização, resolve se afastar e viver como montanhês, alimentando-se da caça e da pesca. O inverno, com a intensa neve, é prova fundamental no "rito de passagem" de Johnson, que ainda não tem aptidão suficiente para enfrentar as dificuldades da situação. Não basta bom rifle, farta munição – logo ele saberá disso.
O personagem principal encontra o velho caçado Bear Claw (Will Geer), que o ensina os macetes do cotidiano. Agora, está preparado para seguir sozinho. O caminho de Johnson o leva a contatos com nativos e a acolher uma índia e um órfão, formando autêntica família. O pedaço de felicidade, contudo, é quebradiço. Johnson terá de se vingar de quem fez mal a ele.
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| Robert Redford interpreta o caçador Jeremiah Johnson |
Na película, Pollack centra a atenção no indivíduo, na sua singularidade radical. Encontrou em Redford um intérprete notável, que, em Mais Forte que a Vingança, representa marcante papel. O filme foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes, na França.
Ator, produtor e diretor, Pollack realizou obras famosas. Algumas: Três Dias do Condor (1975), Tootsie (1982) e Entre Dois Amores (1985). O primeiro e o terceiro títulos com a participação de Redford.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Dica do final de semana (5): Febre de Xadrez
Há poucos dias, o norueguês prodígio Magnus Carlsen ganhou o título mundial de xadrez. Sobre o esporte, vale conferir a comédia Febre de Xadrez (Shakhmatnaya Goryachka, União Soviética, 1925), dirigida por Vsevolod Pudovkin – de A Mãe – e Nikolai Shpikovsky. A União Soviética foi notável centro de estudos teóricos e da prática do xadrez.
A história é simples: apaixonado enxadrísta esquece de tudo, até dos compromissos amorosos, para se dedicar à arte do tabuleiro. A namorada, que odeia o jogo, parte sozinha a perambular por Moscou. No caminho, conhece um homem... o então campeão mundial, o cubano José Raúl Capablanca.
Os realizadores aproveitaram o torneio de xadrez realizado na capital soviética em 1925 para fazer o curta-metragem. Aparecem na tela os grandes mestres Frank Marshall (Estados Unidos), Carlos Torre (México), Rudolph Spielmann (Áustria) e outros.
A película pode ser encontrada no endereço http://www.youtube.com/watch?v=0kwtVRAS3Io. As legendas estão em inglês.
A história é simples: apaixonado enxadrísta esquece de tudo, até dos compromissos amorosos, para se dedicar à arte do tabuleiro. A namorada, que odeia o jogo, parte sozinha a perambular por Moscou. No caminho, conhece um homem... o então campeão mundial, o cubano José Raúl Capablanca.
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| Comédia soviética de 1925 descreve a paixão pelo jogo |
Os realizadores aproveitaram o torneio de xadrez realizado na capital soviética em 1925 para fazer o curta-metragem. Aparecem na tela os grandes mestres Frank Marshall (Estados Unidos), Carlos Torre (México), Rudolph Spielmann (Áustria) e outros.
A película pode ser encontrada no endereço http://www.youtube.com/watch?v=0kwtVRAS3Io. As legendas estão em inglês.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Dica do final de semana (4): Três Dias do Condor
Três Dias do Condor (Three Days of the Condor, Estados Unidos, 1975) é suspense inquietante, um dos grandes sucessos do diretor Sydney Pollack.
O astro Robert Redford interpreta o agente da CIA Joseph Turner, o Condor. Ele trabalha em uma unidade de informações da agência de inteligência americana.
A equipe de Turner é massacrada, sendo ele o único sobrevivente da chacina. Caçado, o personagem sequestra Kathy Hale (Faye Dunaway), que o ajuda escapar e a esclarecer o caso. No elenco, Max von Sydow e Cliff Robertson.
Tema atual.
O astro Robert Redford interpreta o agente da CIA Joseph Turner, o Condor. Ele trabalha em uma unidade de informações da agência de inteligência americana.
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| Astro Robert Redford interpreta agente da CIA |
A equipe de Turner é massacrada, sendo ele o único sobrevivente da chacina. Caçado, o personagem sequestra Kathy Hale (Faye Dunaway), que o ajuda escapar e a esclarecer o caso. No elenco, Max von Sydow e Cliff Robertson.
Tema atual.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
O Gabinete do Doutor Caligari
Existem obras que marcam a história da sétima arte. O Encouraçado Potemkin (1925) e Cidadão Kane (1941), narrativas revolucionárias, são exemplos conhecidos. Nesse rol, tem lugar de honra O Gabinete do Doutor Caligari (Das Cabinet des Dr. Caligari, Alemanha, 1919), autêntico manifesto do movimento expressionista no cinema. Nessa corrente estética, fundamental nas décadas iniciais do século 20, o que vale são as emoções subjetivas do artista.
Essa trama de terror, que mistura realidade e alucinação, é caracterizada pelos cenários estilizados, com ângulos distorcidos, com o contraste de cores – o preto e o branco. Dirigido por Robert Wiene e com roteiro de Carl Mayer e Hans Janowitz, o filme tem o elenco encabeçado por Werner Krauss e o lendário Conrad Veidt.
Num vilarejo montanhoso alemão, Holstenwall, o misterioso doutor Caligari (Krauss) chega acompanhado do sonâmbulo Cesare (Veidt), que, segundo aquele, está adormecido há mais de 20 anos. Caligari pede autorização para mostrar a "atração" na feira da cidade. Cesare, ao acordar, mostra-se capaz de prever o futuro.
A partir do primeiro "show", estranhos assassinatos ocorrem. A polícia busca o homicida. Pistas surgem, pistas desaparecem. A tensão da atmosfera aumenta.
O Gabinete do Doutor Caligari representa um dos grandes momentos do cinema mudo, influenciando futuras produções, dentro ou fora da Alemanha. O jornalista e crítico Paulo Paranaguá esclarece, no livro "Cinema na América Latina - Longe de Deus e Perto De Hollywood" (Porto Alegre, L&PM, 1985), a respeito da passagem para a película sonora: "O cinema mudo acabou quando estava no seu auge e não por esgotamento intrínseco. Seu fim obedeceu a causas econômicas, pois sua linguagem havia alcançado altos níveis de expressão, rompendo as amarras com a fotografia, o teatro, o circo".
O trabalho de Wiene é indispensável para o cinéfilo.
Essa trama de terror, que mistura realidade e alucinação, é caracterizada pelos cenários estilizados, com ângulos distorcidos, com o contraste de cores – o preto e o branco. Dirigido por Robert Wiene e com roteiro de Carl Mayer e Hans Janowitz, o filme tem o elenco encabeçado por Werner Krauss e o lendário Conrad Veidt.
Num vilarejo montanhoso alemão, Holstenwall, o misterioso doutor Caligari (Krauss) chega acompanhado do sonâmbulo Cesare (Veidt), que, segundo aquele, está adormecido há mais de 20 anos. Caligari pede autorização para mostrar a "atração" na feira da cidade. Cesare, ao acordar, mostra-se capaz de prever o futuro.
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| Cenários estilizados caracterizam o clássico expressionista |
A partir do primeiro "show", estranhos assassinatos ocorrem. A polícia busca o homicida. Pistas surgem, pistas desaparecem. A tensão da atmosfera aumenta.
O Gabinete do Doutor Caligari representa um dos grandes momentos do cinema mudo, influenciando futuras produções, dentro ou fora da Alemanha. O jornalista e crítico Paulo Paranaguá esclarece, no livro "Cinema na América Latina - Longe de Deus e Perto De Hollywood" (Porto Alegre, L&PM, 1985), a respeito da passagem para a película sonora: "O cinema mudo acabou quando estava no seu auge e não por esgotamento intrínseco. Seu fim obedeceu a causas econômicas, pois sua linguagem havia alcançado altos níveis de expressão, rompendo as amarras com a fotografia, o teatro, o circo".
O trabalho de Wiene é indispensável para o cinéfilo.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Carrie, a Estranha
O
diretor Brian De Palma recebeu grande influência de Alfred Hitchcock. A
condução da narrativa, que amarra o espectador; o emprego de música tensa; o
voyeurismo; o virtuosismo técnico. Esses são elementos típicos do mestre do
suspense e do pupilo. Em Carrie, a Estranha (Carrie, Estados Unidos, 1976) –
baseado no romance homônimo de Stephen King –, De Palma alcançou enorme
sucesso. Terror, sangue e morte mesclam-se nessa obra lírica e fascinante.
Houve remakes em 2002 e 2013.
Carrie
White (Sissy Spacek) é uma adolescente problemática, sem amigos e isolada. Mas
a personagem principal tem o poder espantoso da telecinésia, a capacidade de
mover objetos com a mente.
Dominada
pela mãe Margaret (Piper Laurie, em excelente atuação), autoritária e fanática
religiosa, a jovem sofre bullying na escola. Logo no início da película, uma
cena marcante: Carrie, ao banhar-se no vestiário após a aula de educação
física, menstrua pela primeira vez. Ela desconhece o fenômeno. Ao pedir
socorro, é humilhada pelas colegas. A professora Collins (Betty Buckley) passa
a protegê-la, incentivando-a a ter autoestima e a mudar de postura.
Sue
Snell (Amy Irving), arrependida do que fez, convence o namorado Tommy Ross
(William Katt) – popular aluno – a convidar Carrie ao baile de fim de ano. A
vilã Chris Hargensen (Nancy Allen), que foi punida pela direção da instituição,
age para ridicularizar, em público, a frágil garota. Ao lado do comparsa Billy
Nolan (o iniciante John Travolta), arma vingança a fim de traumatizar Carrie
para o resto da vida.
Como
a mola pressionada por longo tempo, Carrie mostra a incrível força paranormal
que possui. O clímax da história é arrasador.
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| Clímax do filme do diretor Brian De Palma é arrasador. |
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Dica do final de semana (3): M
Joseph Losey refilmou M, o Vampiro de Düsseldorf, clássico do alemão Fritz Lang. M (M, Estados Unidos, 1951), na versão do diretor norte-americano, faz jus ao original alemão, sem alterar a história do suspense e o requinte da fotografia.
David Wayne interpreta Martin W. Harrow, o maníaco assassino de crianças. O pânico causado pela quantidade e perfil dos delitos mobiliza a comunidade, a polícia e uma grande organização criminosa. Os próprios delinquentes sentem-se prejudicados, em seus negócios, pelo serial killer.
Vale a pena ver ou rever a película de Lang, na qual a atuação de Peter Lorre – o vilão da trama – é fenomenal.
David Wayne interpreta Martin W. Harrow, o maníaco assassino de crianças. O pânico causado pela quantidade e perfil dos delitos mobiliza a comunidade, a polícia e uma grande organização criminosa. Os próprios delinquentes sentem-se prejudicados, em seus negócios, pelo serial killer.
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| Refilmagem (foto) de 1951 faz jus ao clássico de Fritz Lang |
Vale a pena ver ou rever a película de Lang, na qual a atuação de Peter Lorre – o vilão da trama – é fenomenal.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Dica do final de semana (2): A Dama de Shangai
A Dama de Shangai (The Lady from Shanghai, Estados Unidos, 1948) causou polêmica. A trama, complicada, traz a musa Rita Hayworth de cabelos curtos e louros. Realizado por Orson Welles – tão genial diretor quanto ator –, o filme conta a história de Michael O'Hara (Welles) que se apaixona por Else (Rita), misteriosa mulher casada.
Enquanto viajam de Shangai a São Francisco, o marido de Elsa e seu sócio tramam uma morte forjada, o que envolve O'Hara em perigoso jogo de ambição e argúcia. A cena do tiroteio na sala de espelhos é antológica.
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| Ao invés dos longos cachos ruivos, Rita Hayworth está loura e de cabelos curtos |
Enquanto viajam de Shangai a São Francisco, o marido de Elsa e seu sócio tramam uma morte forjada, o que envolve O'Hara em perigoso jogo de ambição e argúcia. A cena do tiroteio na sala de espelhos é antológica.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Dersu Uzala
Akira Kurosawa procurou, em suas obras, contribuir para melhorar o homem, ou mesmo um homem apenas, afirmou o diretor japonês. Essa faceta do realizador encontra-se na plenitude em Dersu Uzala (Dersu Uzala, 1975, Japão-União Soviética), vencedor do prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar de 1976.
No começo do século 20, expedição militar russa vai ao extremo oriente do país, na fronteira com a China, a fim de determinar características topográficas da Sibéria. À frente do destacamento, o capitão Vladimir Arseniev (Yuri Solomin). Na selva inóspita, encontram o veterano caçador goldi – minoria étnica asiática – Dersu Uzala (Maksim Munzuk), que conhece as entranhas do terreno, a queda da chuva, o movimento dos animais, o sol que surge após a tempestade. A missão acolhe o desconhecido, que passa a ser o guia do grupo.
Pelo exemplo de modéstia, solidariedade, destreza e humanidade, Dersu ganha a admiração e o respeito dos russos. Sobretudo, a amizade de Arseniev, que narra, por meio de memórias, a história. Em diálogo curto, o personagem-título diz ao oficial que é preciso deixar sal, arroz e fósforo na cabana abandonada. Por quê? Futuros viajantes chegarão, e o mantimento será essencial. Essa sabedoria é típica de Dersu, ou, quiçá, de quem vive em ambiente tão duro.
A sequência mais impressionante da película ocorre quando Dersu e Arseniev estão na estepe gelada. A escuridão se aproxima. A morte, nessas condições, é certa. Ao trabalho, ao trabalho, grita o caçador. Enquanto Arseniev se cansa de arrancar arbustos, Dersu não para de fazê-lo. Do pouco nasce um abrigo. Deste, a sobrevivência. A beleza da fotografia, aliás, como em todo o longa, chama a atenção do espectador.
O contato das duas culturas, a do caçador e a do soldado, permeia o tecido do drama Dersu Uzala. Um dos grandes feitos de Kurosawa, que ficou conhecido no ocidente principalmente pela temática do samurai. Rashomon (1950), Os Sete Samurais (1954), Kagemusha, A Sombra de um Samurai (1980) deliciaram plateias.
No começo do século 20, expedição militar russa vai ao extremo oriente do país, na fronteira com a China, a fim de determinar características topográficas da Sibéria. À frente do destacamento, o capitão Vladimir Arseniev (Yuri Solomin). Na selva inóspita, encontram o veterano caçador goldi – minoria étnica asiática – Dersu Uzala (Maksim Munzuk), que conhece as entranhas do terreno, a queda da chuva, o movimento dos animais, o sol que surge após a tempestade. A missão acolhe o desconhecido, que passa a ser o guia do grupo.
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| História do veterano caçador é lição humanitária |
Pelo exemplo de modéstia, solidariedade, destreza e humanidade, Dersu ganha a admiração e o respeito dos russos. Sobretudo, a amizade de Arseniev, que narra, por meio de memórias, a história. Em diálogo curto, o personagem-título diz ao oficial que é preciso deixar sal, arroz e fósforo na cabana abandonada. Por quê? Futuros viajantes chegarão, e o mantimento será essencial. Essa sabedoria é típica de Dersu, ou, quiçá, de quem vive em ambiente tão duro.
A sequência mais impressionante da película ocorre quando Dersu e Arseniev estão na estepe gelada. A escuridão se aproxima. A morte, nessas condições, é certa. Ao trabalho, ao trabalho, grita o caçador. Enquanto Arseniev se cansa de arrancar arbustos, Dersu não para de fazê-lo. Do pouco nasce um abrigo. Deste, a sobrevivência. A beleza da fotografia, aliás, como em todo o longa, chama a atenção do espectador.
O contato das duas culturas, a do caçador e a do soldado, permeia o tecido do drama Dersu Uzala. Um dos grandes feitos de Kurosawa, que ficou conhecido no ocidente principalmente pela temática do samurai. Rashomon (1950), Os Sete Samurais (1954), Kagemusha, A Sombra de um Samurai (1980) deliciaram plateias.
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