quarta-feira, 11 de julho de 2012

A Dança dos Vampiros

A Dança dos Vampiros (Estados Unidos-Reino Unido, 1967) é uma comédia sensacional. Faz parte do melhor do diretor Roman Polanski, de O Bebê de Rosemary (1968), Macbeth (1971), O Inquilino (1976) , A Morte e a Donzela (1994), O Pianista (2002).

O atrapalhado professor Abronsius (Jack MacGowran) viaja à gélida Transilvânia, na Romênia, acompanhado do discípulo Alfred (Polanski). A missão tem o objetivo de caçar vampiros. Hospedados na estalagem do casal Yoineh (Alfie Bass) e Rebecca Shagal (Jessie Robbins), Alfred, moço tímido, apaixona-se pela filha dos proprietários, a deslumbrante Sarah Shagal (Sharon Tate).

Depois de testemunhar o rapto da jovem pelo vampiro conde Von Krolock (Ferdy Mayne), os dois heróis rumam ao castelo do nobre para resgatá-la. Ambos viverão situações rocambolescas, culminando com o baile de mortos-vivos.

Sharon e Polanski

Polanski realizou película iconoclasta. No longa, há dois personagens atípicos nas produções tradicionais sobre o tema: Herbert von Krolock (Iain Quarrier), filho do conde e homossexual – tentará seduzir Alfred –, e Yoineh, transformado em vampiro, é imune à força da cruz.

Elementos de alta qualidade, como direção, roteiro (Gérard Brach e Polanski são os autores), atuações, cenários e fotografia, resultaram em uma obra-prima.

Inesquecível.

domingo, 8 de julho de 2012

O Nome da Rosa

Adaptado do romance homônio do italiano Umberto Eco, O Nome da Rosa (Alemanha-França-Itália, 1986), do diretor Jean-Jacques Annaud, alcançou amplo sucesso de público e crítica. História de detetive, ambientada em um mosteiro italiano da Idade Média, a obra tem inúmeros méritos, como o roteiro e a bela fotografia.

Mortes misteriosas abalam a vida no local. O monge franciscano William de Baskerville (Sean Connery) é convidado para descobrir o enigma. Seria o Demônio o assassino? William não aceita essa hipótese. Com métodos racionais, lógicos, ele busca a resposta. Na jornada, terá a companhia do jovem pupilo Adso de Melk (Christian Slater). O amor pelo conhecimento e pelos livros caracteriza o perfil do mestre.

Mestre e discípulo

A fim de obter a verdade, Connery terá de enfrentar vários desafios. A hostilidade do monge cego Jorge de Burgos (inspirado no escritor Jorge Luis Borge), o inquisitor Bernardo Gui (F. Murray Abraham), o labirinto da biblioteca, o obscurantismo religioso.

O cuidado com a constituição de determinada época é uma das marcas de Annaud.

O elenco conta com as participações dos ótimos Ron Perlman (Salvatore) e Michael Lonsdale (abade), que trabalhou em Deuses e Homens (França, 2010)

Filmes relevantes integram o currículo do cineasta. A Guerra do Fogo (1981), O Urso (1988) e Círculo de Fogo (2001) exemplificam.

Ernest Borgnine

Morreu hoje, aos 95 anos, Ernest Borgnine. O óbito ocorreu em Los Angeles, nos Estados Unidos. Era um durão.

Participou de grandes clássicos do cinema. Alguns: A Um Passo da Eternidade (1953), Johnny Guitar, (1953, western sensacional de Nicholas Ray), Vera Cruz (1954), Os Doze Condenados (1967), Meu Ódio Será Tua Herança (1969, Sam Peckinpah – faroeste que merece ser revisto com os olhos da pós-modernidade), O Destino de Poseidon (1972).

Borgnine em O Destino do Poseidon

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Rastros de Ódio

Rastros de Ódio (Estados Unidos, 1956) é um dos grandes westerns. O diretor John Ford e seu ator-fetiche, John Wayne, realizaram uma obra-prima absoluta do gênero. Como cenário, a exuberante região desértica de Monument Valley, reserva dos índios navajos no Estado de Utah.

Texas, 1868. Ethan Edwards (Wayne) retorna da Guerra Civil Americana. Recebido pela família do irmão Aaron (Walter Coy), sente-se, de alguma maneira, deslocado. Tem o carinho dos sobrinhos e da cunhada Martha (Dorothy Jordan) – Ethan e Martha nutrem inconfessável atração. Há o mestiço Martin Pawley (órfão agregado à família), representado por Jeffrey Hunter, de quem Ethan não esconde o desprezo.


Ethan faz busca implacável

O rancho sofre ataque de índios comanches, chefiados por Scar (Henry Brandon). Os Edwards são dizimados. A pequena sobrinha Debbie (Natalie Wood) é raptada.

Ao lado de Martin – que conquistará o respeito e admiração de Ethan –, Wayne parte em busca da menina e do bando que a capturou. Durante cinco anos, Ethan empreende caçada implacável, deixando no caminho rastros de ódio.

O espectador testemunhará qual o sentimento de Ethan pelos índios. Em cena emblemática, atira nos olhos de um cadáver. Dessa forma, explica o personagem, sem olhos, a alma do comanche não entrará na Terra dos Mortos e ficará vagando eternamente, conforme o sistema religioso da tribo. O olhar de Wayne despeja fúria e repugnância.


Wayne, o herói solitário

Muitos clássicos, não somente de faroeste – gênero em que foi mestre –, foram dirigidos por Ford. O Prisioneiro da Ilha dos Tubarões (1936), No Tempo das Diligências (1939), A Mocidade de Lincoln (1939), As Vinhas da Ira (1940), Rio Grande (1950), O Homem que Matou o Facínora (1962) e outros. Rastros de Ódio, na minha opinão, é insuperável.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Possessão

Denso, Possessão (Alemanha-França, 1981), do polonês Andrzej Zulawski, teve justo reconhecimento. Atuações notáveis, fotografia seca e direção segura consagraram o filme. Isabelle Adjani, uma das mais belas e talentosas atrizes do cinema europeu, e Sam Neil formam o casal patológico da trama, refinado horror.

À sombra da infidelidade, Ana (Adjani), dona de casa e mãe, mantém turbulenta relação com Marc (Neil). Ela conserva três vidas paralelas, de personalidades distintas, enquanto o casamento submerge no colapso. Aos poucos, a loucura avança e se apossa da mente de Ana. Marc será arrastado para esse vórtice profundo. Um monstro domina Isabelle, transformando-a em assassina.

Tal qual ervas daninhas, brotam cenas de intensa dramaticidade. Na cozinha, Ana corta o pescoço com uma faca. É agredida fisicamente por Marc, até a boca sangrar. No metrô, sofre acesso de histeria, rolando no chão e nas paredes – o clímax tem vômito e sangue.


Casal patológico

O cenário do longa reflete a existência de Ana – a Berlim dividida em duas durante a Guerra Fria. A história da película se passa na parte oriental (socialista), com locações próximas ao Muro de Berlim.

Pelo trabalho, Adjani conquistou, em 1982, o prêmio Cesar de melhor atriz.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Os Três Mosqueteiros

Deliciosa a versão de Os Três Mosqueteiros de George Sidney (Estados Unidos, 1948). Assim como o romance de Alexandre Dumas, o filme é trepidante. Diretor de musicais (O Barco das Ilusões e Marujos do Amor), Sidney realiza uma obra-prima do gênero capa e espada.



No século 17, o jovem gascão D'Artagnan (Gene Kelly) ruma a Paris para se tornar mosqueteiro do rei. Junto aos amigos Athos (Van Heflin), Porthos (Gig Young) e Aramis (Robert Coote), os três mosqueteiros, D'Artagnan enfrentará vários desafios. Terá de superar as artimanhas do cardeal Richelieu (o grande Vincent Price) e de lady de Winter (Lana Turner), bela e má, sedutora e traiçoeira. Cercado de muitos perigos, conhecerá o amor da doce Constance (June Allyson) e cortejará a mulher diabólica.


Lana Turner é a mulher diabólica

Astro de Dançando na Chuva, Kelly tem atuação magnífica, digna do herói de Dumas. As lutas contra os homens do cardeal são acrobáticas. A perseguição à beira do mar, eletrizante.

O livro rendeu momentos memoráveis ao cinema. Da paródia do genial Max Linder (1922) – Richelieu transmite ordens por telefone! – à encantadora adaptação feita em 1973 por Richard Lester (no elenco, Michael York, Oliver Reed, Charlton Heston, Christopher Lee, Richard Chamberlain e Raquel Welch). O desejo de Lester era que a película fosse estrelada pelos Beatles.

Cinema expressionista alemão

De hoje a 20 de julho a Sala Redenção, da Ufrgs, em Porto Alegre, passa um ciclo imperdível: cinema expressionista alemão. A mostra apresenta trabalhos de nomes fundamentais do movimento.

No rol da programação: O Gabinete do Dr. Caligari, O Golem, Nosferatu, A Última Gargalhada, Fausto, Dr. Mabuse: O Jogador, Dr. Mabuse: O Inferno do Crime, Metrópolis, M – O Vampiro de Düsseldorf, Os Mil Olhos do Dr. Mabuse, O Gabinete das Figuras de Cera, O Gato e o Canário, O Homem que Ri (conferir postagem) e O Estudante de Praga.

Poucas vezes se fez filmes tão bons.