domingo, 22 de julho de 2012

O Homem Invisível

Dois anos depois de realizar o célebre Frankenstein (1931, com Boris Karloff), James Whale dirigiu talvez a melhor adaptação de um livro de H. G. Wells para o cinema: O Homem Invisível (Estados Unidos, 1933). Este integra a lista dos principais filmes de ficção científica e horror já produzidos – as sequências, porém, não tiveram o mesmo impacto.

Longa de trucagens ímpares, conta a história de Jack Griffin (Claude Rains), que descobre uma fórmula para se tornar invisível e a usa em si mesmo. O feito, ao invés de promover o bem, leva medo e insegurança à sociedade. Ser extraordinário, O Homem Invisível tornar-se irascível e ambicioso, sob o constante temor de jamais retornar ao estado natural. Criatura anormal, que causa espanto por onde passa, será caçado pelas autoridades.

A situação, paradoxal, revela-se extremamente incômoda para Griffin. A fim de ser notado, deve andar coberto de ataduras. A luz, mesmo com as pálpebras fechadas, afeta os olhos.

Um ser extraordinário

Inesquecível o momento em que o rosto de Griffin surge na tela – até lá, somente sua voz é conhecida. Ponto alto da magia do cinema.

No elenco, Henry Travers e Gloria Stuart – a idosa Rose, personagem que narra a trama de Titanic (1997).

A película mostrou o talento de Rains a Hollywood. Intérprete prodigioso, atuou em sucessos como Casablaca (1942) e Interlúdio (1946).

Com O Homem Invisível, encerra-se o ciclo cinematográfico sobre obras de Wells.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Os Primeiros Homens na Lua

Não foi em 1969, mas em 1899 que o homem aterrissou na Lua. Entrou em contato com os selenitas, hipotéticos habitantes do satélite. O território foi tomado em nome da rainha Vitória, da Inglaterra. A história é narrada no clássico Os Primeiros Homens na Lua (Reino Unido, 1964), adaptação da novela homônima de H. G. Wells realizada pelo diretor Nathan Juran.

Arnold Bedford (Edward Judd) vive um homem às voltas com credores. Isolado em uma pequena casa no interior inglês, tenta transformar-se em dramaturgo. Conhece o vizinho Joseph Cavor (Lionel Jeffries), excêntrico e cômico cientista, inventar da substância cavorita, capaz de eliminar o efeito de gravidade, o que possibilita a viagem – infelizmente, a fórmula química se perdeu...

Cavor forjou uma esfera de metal, que será o meio de transporte dos intrépidos astronautas. Por acaso, a namorada de Arnald, Katherine Callender (Martha Hyer), acompanha a dupla na jornada.


Um clássico de 1964

Após pousar no solo lunar, começam a exploração. Enfrentarão perigos. Mas, afinal, o que de bom o homem pode mostrar a outra civilização? Violência e guerra, conforme Wells. Enquanto Arnold quer retornar, Cavor deseja aprender com os selenitas.

As cenas que passam no interior da espaçonave merecem destaque, assim como os cenários lunares e os efeitos especiais, a cargo do mestre Ray Harryhausen. Diga-se que Juran, antes de abraçar a direção, foi respeitado cenógrafo – deve-se a ele o elogiado desenho cênico de O Fio da Navalha, na versão de 1946 (conferir postagem).

Os Primeiros Homens na Lua diverte e agrada o espectador.

terça-feira, 17 de julho de 2012

A Máquina do Tempo

O destino do homem é sombrio, segundo H. G. Wells. Com o mesmo espírito do autor, o diretor húngaro George Pal realizou a principal versão cinematográfica da novela A Máquina do Tempo. O filme (The Time Machine, Reino Unido, 1960) tornou-se clássico da ficção científica.

Londres, último dia do ano de 1899. O inventor – interpretado por Rod Taylor – H. George Wells (homenagem ao escritor, pois no livro chama-se apenas O Viajante do Tempo) cria uma máquina capaz de o transportar ao futuro.

Rumo ao futuro sombrio

Primeiro, alguns minutos; depois, horas, dias e anos; por fim, séculos e milênios. Testemunha as mudanças na moda, as guerras mundiais e a aniquilação atômica.

A viagem o leva, 800.000 anos depois, ao lugar da antiga Londres, agora dominado por florestas e onde vivem duas comunidades opostas. Os elois, dóceis e indiferentes pelos seus iguais; e os morlocks, monstruosos seres dominadores que habitam o interior da Terra. Um terrível mistério envolve ambas. A eloi Weena (Yvette Mimieux) ajuda George a descobrir a verdade e a responder: afinal, o que aconteceu com a civilização humana?

Ao retornar à sua época, após enfrentar enormes perigos, George traz uma flor murcha. Qual outro símbolo poderia ser mais eloquente do porvir?

O longa arrebatou o Oscar na categoria de Melhores Efeitos Especiais. Em 1963, Taylor participou do último grande sucesso de Alfred Hitchcock: Os Pássaros.

A máquina foi salva. O Viajante do Tempo pode estar entre nós.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

A Guerra dos Mundos

Marcianos invadem a Terra. Hostis aos seres humanos, espalham morte e destruição. As naves alienígenas têm alto poder de fogo e são imunes às armas terráqueas. Baseado no livro homônimo de H. G. Wells, A Guerra dos Mundos (Estados Unidos, 1953), de Byron Haskin, marcou época, sobretudo pela qualidade dos efeitos especiais. Haskin, ex-iluminador, mostrou grande domínio desses recursos. A obra conquistou o Oscar na categoria.

Um objeto não-identificado cai no interior da Califórnia (EUA). O fato intriga moradores e autoridades. Mas, na realidade, trata-se de uma máquina de combate. A partir daí, outras surgem em vários lugares do planeta. O ataque começa. O avanço se revela inexorável.  Paris (a Torre Eiffel é destroçada), Londres e Rio de Janeiro, entre outras cidades, sofrem a ofensiva.

Nave marciana em ação

O cientista Clayton Forrester (Geny Barry) se engaja na luta. Acompanhará o herói Sylvia van Buren (Ann Robinson), sobrinha do pastor Matthew Collins, umas das primeiras vítimas dos extraterrestres.

Guerra é implacável. Qual dos mundos sucumbirá?

A evacuação e o ataque a Los Angeles são particularmente bem feitos. A fuga desperada, as ruas vazias, os saques a lojas, os rostos apavorados compõem o clímax da película.

Em 1938, Orson Welles (quase xará de H. G. Wells) aterrorizou a população norte-americana ao dramatizar, no rádio, A Guerra dos Mundos.

Steven Spielberg realizou nova adaptação da novela em 2005.


domingo, 15 de julho de 2012

Ciclo H. G. Wells

Novelas de ficção científica do inglês H. G. Wells (1866-1946) foram temas de vários filmes. O blog destaca quatro versões modelares: A Guerra dos Mundos (1953), A Máquina do Tempo (1960), Os Primeiros Homens na Lua (1964) e O Homem Invisível (1933).

A Guerra dos Mundos será o assunto da próxima postagem.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Desafio à Corrupção

Desafio à Corrupção (The Hustler, Estados Unidos, 1961) mostra os subterrêneos dos salões de bilhar. Drama dirigido por Robert Rossen, entrou para a história da sétima arte como uma das mais célebres atuações de Paul Newman.

O autodestrutivo Eddie Felson (Newman) enfrenta o melhor taco dos Estados Unidos, Minnesota Fats (Jackie Gleason). Na mesa, grandes somas de dinheiro e whisky, muito whisky. O duelo se prolonga por várias horas. Exausto e embriagado, Eddie sucumbe. Após a derrota, envolve-se com a alcoólatra Sarah Packard (Piper Laurie). Arranja um agente, o cínico e inescrupuloso Bert Gordon (George C. Scott, de Patton), a fim de obter a chance de medir novamente forças com o rival.

Rivais Gleason (E) e Newman

Antes do segundo embate contra o campeão, cena impiedosa. Eddie tem os dedos de uma mão quebrados ao tentar enganar, fingindo ser fraco jogador, frequentadores de um bar barra-pesada.

Os mesmos elementos do primeiro se repetem no último e épico confronto com Minnesota. Mas Eddie, afinal, tem estilo e estrela.

O ex-campeão de boxe Jake LaMotta interpreta um garçom na película. LaMotta teve a vida levada às telas por Martin Scorsese em 1980 – O Touro Indomável (no papel do pugilista, Robert De Niro). Aliás, Scorsese filmou uma continuação de Desafio à Corrupção, A Cor do Dinheiro (1986), com Newman e Tom Cruise.

Em 1965, o cineasta Norman Jewison (No Calor da Noite e Um Violinista no Telhado) seguiu o exemplo de Rossen e realizou A Mesa do Diabo, obra sobre pôquer. No elenco, Steve McQueen, Edward G. Robinson, Karl Malden e Ann-Margret.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

As Aventuras do Ladrão de Bagdá

Leveza e simplicidade caracterizam As Aventuras do Ladrão de Bagdá (França-Itália, 1961), com o astro Steve Reeves (Rômulo e Remo). Co-dirigido por Arthur Lubin e Bruno Vailati, o filme, gravado na Tunísia, baseia-se em As Mil e Uma Noites.

O ladrão Karim (Reeves) invade o palácio do sultão para furtar. Na fuga, esconde-se no quarta da filha do soberano, a princesa Amina (Georgia Moll). Atração à primeira vista. O pretendente oficial de Amina, o príncipe Osman (Arturo Domicini), recebe uma poção mágica capaz de fazê-la se apaixonar por ele. Mas a herdeira adoece. Apenas a rosa azul poderá curá-la. Então, o sultão convoca todos os que quiserem encontrar a flor para que o façam. Quem trazê-la, se casará com Amina.

Obra leve e divertida

Surge o momento de Karim tornar-se digno da princesa. O caminho, fantástico, será de provação. Árvores animadas, mulheres que transformam pessoas em estátuas de pedra e um monstruoso homem invisível são alguns dos desafios. Karim terá de mostrar inteligência, força e coragem para triunfar. Ainda, terá de enfrentar o exército de Osman.

A película não é a versão mais badalada do simpático larápio. O Ladrão de Bagdá (1940), cujo elenco tem a presença de Conrad Veidt, conquistou enorme fama – os efeitos visuais são fenomenais.