quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Doze Homens e Uma Sentença


Drama que mantém a tensão do início ao fim, Doze Homens e Uma Sentença (Estados Unidos, 1957), trabalho de estreia do cineasta Sidney Lumet (Serpico e Um Dia de Cão), debate o problema da aplicação da justiça. Indicado para os cursos de graduação em direito, mostra a força da dúvida na formação do veredicto do júri.

Nova York, dia de forte calor e chuva. A ação transcorre praticamente toda dentro da sala onde 12 homens, o Conselho de Sentença, deliberam sobre o destino de um jovem, acusado de matar o pai. Caso condenado, execução na cadeira elétrica. A pena só será aplicada se, por unanimidade, for considerado culpado.

Momento da votação. Onze classificam o rapaz de parricida. Um, o arquiteto Davis (Henry Fonda), tem dúvida. A partir de então, com o uso da razão, começa a convencer os pares e a mudar o placar. A incerteza, por princípio, beneficia o réu.

Fonda (de pé) convence

Obra inquietante, tem três cenários: a área da entrada do tribunal, o espaço de audiências e a sala do júri. Além da condução impecável de Lumet, se beneficia da qualidade do roteiro e de atuações arrasadoras, sobretudo de Fonda, Lee J. Cobb (o mais feroz opositor de Davis) e Jack Warden. 

No ano da produção, o longa ganhou o Urso de Ouro, o prêmio de melhor filme do Festival de Berlim. Na edição do Oscar de 1958, perdeu para A Ponte do Rio Kwai, a primeira superprodução de David Lean. Em 1997, houve uma versão para a TV de Doze Homens e Uma Sentença, com Jack Lemmon.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Pérfida


A atuação de Betti Davis em Pérfida (The Little Foxes, Estados Unidos, 1941) é contundente. O filme, elogiado trabalho do diretor William Wyler (Os Melhores Anos de Nossas Vidas, A Princesa e o Plebeu, Ben-Hur), revela, de forma visceral, a maldade e a ambição de três irmãos. A história é de Lillian Hellman.

No Sul dos Estados Unidos, em 1900, os irmãos Regina Giddens (Betti), Ben Hubbard (Charles Dingle) e Oscar Hubbard (Carl Benton Reid), produtores de algodão, querem firmar contrato com um industrial de Chicago. Os três desejam trazer a fábrica para perto da lavoura, o que possibilitará aumento dos lucros. A mão de obra local, bem mais barata do que de Estados nortistas, representa forte atrativo para os investidores.

Porém, os irmão não têm o dinheiro necessário para fechar o negócio. A fim de obtê-lo, o rico e cardiopata  marido de Regina, Herbert Marshall (Horace Giddens), contrário ao investimento, será enganado pelas raposas.


Herbert Marshall e Betti Davis

Duas cenas merecem atenção especial.

Primeira: Oscar e o filho conversam no banheiro enquanto se barbeiam. Os dois combinam furtar ações de Harace.

Segunda: no meio de um ataque, Horace quebra o vidro de remédios. Ele suplica à esposa que busque outro frasco. Regina, impassível, nada faz.

O tema do mal era conhecido de Wyler. Em 1939, ele assinou uma das versões cinematográficas do romance O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë. O livro é retrato impressionante da perversidade.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A Malvada

Drama de notáveis qualidades, A Malvada (All About Eve, Estados Unidos, 1950) ganhou o Oscar de 1951 na categoria de Melhor Filme. Com direção e roteiro de Joseph L. Mankiewicz, a obra tem nos diálogos – ácidos e cínicos – e nas atuações de Bette Davis, Anne Baxter e George Sanders seus pontos mais fortes. Mankiewicz assinou, entre outros, Júlio César e A Condessa Descalça.

Bette interpreta Margo Channing, estrela temperamental do teatro da Broadway, que começa a sentir o peso do envelhecimento. A vida da celebridade dos palcos muda a partir do momento em que conhece a jovem fã Eve Harrington (Anne). “Boazinha” e prestativa, Eve, aspirante a atriz, se infiltra no cotidiano de Margo, tornando-se sua secretária.

Bette é Margo

Por meio de manobras pérfidas, Eve transforma-se em perigo para a diva. O trabalho e os laços pessoais de Margo tornam-se objeto de cobiça da dissimulada rival.

Quando o caminho de Eve parece limpo, quando a manipulação começa a dar resultados, ela passa a ser dominada pelo sarcástico crítico de teatro Addison DeWitt, interpretado pelo sensacional George Sanders. Aliás, por meio de DeWitt, a novata e inapta senhorita Caswell (Marilyn Monroe, em início de carreira) ganha um lugar no mundo do espetáculo.

Anne, a má

Além do Oscar de Melhor Filme, A Malvada arrebatou as estatuetas de Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Sanders), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Som e Melhor Figurino. A película recebeu 14 indicações – o mesmo número de Titanic.

O cineasta espanhol Pedro Almodóvar realizou Tudo Sobre Minha Mãe (1999) inspirado em A Malvada.
  

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Crepúsculo dos Deuses

Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, Estados Unidos, 1950) é considerado, pela crítica especializada, o retrato mais cruel de Hollywood. Assim como o romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, o filme, do diretor Billy Wilder, é narrado por um morto, o que acentua o tom “crepuscular” da película.

Roteirista fracassado e endividado, Joe Gillis (William Holden) conhece Norma Desmond (Gloria Swanson), antiga estrela do cinema mudo. Norma deseja voltar às telas. Por isso, contrata Joe, que deve escrever um roteiro especial para ela. Holden passa a viver na mansão de Norma, onde dividem a mesma cama.

Norma vive da fama pretérita, quando era o centro das atenções de milhaes de fãs. O cinema, agora falado, não tem mais lugar para ela. 

Holden e Gloria 

A fim de aumentar o clima de autenticidade, Wilder utiliza alguns recursos. A atriz Gloria Swanson teve o auge da carreira na era muda. O diretor Cecil B. DeMille (Os Dez Mandamentos e Sansão e Dalila) interpreta a si mesmo.  O genial ator e diretor de comédias mudas Buster Keaton aparece na película – integra o grupo de amigos de Norma que joga baralho.

Outra participação do passado: o mitológico Erich von Stroheim. Ele é o motorista e mordomo Max von Mayerling, ex-marido de Norma e ex-diretor de cinema. Na vida real, Von Stroheim, ator, realizador e roteirista vienense, conheceu o sucesso e o fracasso em Hollywood.

Entre tantas cenas inesquecíveis, uma das mais lembradas pelos cinéfilos envolve Von Stroheim. Enquanto a enlouquecida Norma desce as escadas, Von Stroheim novamente está atrás das câmeras para exercer o velho ofício e dizer “ação”.

Von Stroheim, um mito

O drama recebeu 11 indicações à edição do Oscar de 1951. Ganhou nas categorias Melhor Direção de Arte, Melhor Trilha Sonora e Melhor Roteiro.

domingo, 19 de agosto de 2012

Oscar de 1951

A 23ª edição do Oscar, em 1951, é célebre. Proporcionou a disputa entre dois dos mais elogiados trabalhos cinematográficos: A Malvada e Crepúsculo dos Deuses. O primeiro, que levou a estatueta de Melhor Filme, trata dos bastidores do mundo do teatro, enquanto o segundo, do universo de Hollywood.

Ambos serão abordados nas próximas postagens. Crepúsculo dos Deuses será o primeiro.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Inferno no Pacífico

Longe das grandes batalhas e campanhas, dos gabinetes do alto escalão militar, Inferno no Pacífico (Hell in the Pacific, Estados Unidos, 1968), do diretor John Boorman, narra o confronto entre dois homens. Microcosmos da Segunda Guerra Mundial, o drama ocorre em  uma ilha deserta do oceano Pacífico, teatro de operações aeronavais.  

Frente a frente, Lee Marvin, fuzileiro naval norte-americano, e Toshiro Mifune, oficial da Marinha Imperial japonesa. No ambiente hostil, lutam pela sobrevivência.  De forma obstinada, cada um busca subjugar o outro, derrotando-o.

O combate se desenrola na orla, junto ao mar e à densa floresta. Astúcia, força e armadilhas são meios para vencer o adversário.

Mifune e Marvin

As exigências do momento e do lugar se sobrepõem à farda. Mais do que soldados, obedientes aos ditames da política dos Estados, são homens. Desse processo, de violência paradoxal, surgem laços de amizade e a união de esforços, cujo objetivo é sair daquele inferno. Para complicar, os idiomas são mutuamente estranhos.

História surpreendente, com final inesperado, o filme tem direção e roteiro sólidos, proporcionando ao espectador um prato repleto de tensão.

Além de técnicas apuradas de interpretação, as atuações de Marvin (Os Doze Condenados e O Homem que Matou o Facínora) e Mifune  (Rashomon, Os Sete Samurais e Yojimbo) devem-se muito à experiência comum de ambos. Na Segunda Guerra, Marvin serviu na Marinha dos Estados Unidos, tendo sido ferido no Pacífico Sul, e Mifune, no Exército nipônico.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Tora! Tora! Tora!

A preocupação em relatar com fidelidade o ataque japonês à base militar dos Estados Unidos em Pearl Harpor, no Havaí, em 7 de setembro de 1941, fez de Tora! Tora! Tora! (Estados Unidos e Japão, 1970) quase um documentário. O evento provocou a entrada das Forças Armadas norte-americanas na Segunda Guerra Mundial. O Dia da Infâmia, qualificou o presidente Franklin D. Roosevelt.

A narrativa ocorre a partir da ótica de ambos beligerantes. A direção e a produção foram separadas em dois polos. No norte-americano, a direção esteve a cargo de Richard Fleischer (20.000 Léguas Submarinas e Barrabás); no oposto, a Kinji Fukasaku e Toshio Masuda – a príncipio, ficaria sob responsabilidade do mestre Akira Kurosawa.

Tora! Tora! Tora! (Tigre! Tigre! Tigre!, em português) foi o código utilizado pela Marinha Imperial japonesa para a ofensiva.

Na manhã daquele domingo, centenas de aviões nipônicos bombardearam as posições inimigas. Os preparativos da agressão, o despreparo norte-americano e o assalto pelo ar são mostrados em detalhes. Qualidade técnica, roteiro preciso e atuações convincentes moldam o filme.

Forte realismo

Com forte realismo, as cenas de combate, que duram aproximadamente 30 minutos, impressionam o espectador. Homens, navios e aeronaves em chamas, prédios destruídos, fogo antiaéreo, inúmeras explosões, todas essas sequências dão à obra um caráter genuíno. Ganhou o Oscar na categoria Melhores Efeitos Visuais – teve nove indicações.

Um clássico do gênero guerra.