Épico, Rômulo e Remo (1961), dirigido por Sergio Corbucci, é emblemática obra do cinema popular italiano. O longa narra o mito de fundação de Roma, em 753 a.C., pelos gêmeos Rômulo (Steve Reeves) e Remo (Gordon Scott).
Ambos atores foram ídolos de parte da juventude nos anos 50 e 60. Carismáticos, Reeves, em papéis como o de Hércules, e Scott, na pele de Tarzan, empolgaram jovens nas matinês, entre eles o meu pai.
Filhos de um deus e de uma sacerdotisa, Rômulo e Remo sobrevivem amamentados por uma loba, após a mãe ser forçada a abandoná-los. Criados entre pastores, crescem fortes e exímios guerreiros. Depois da destruição da lendária Alba Longa, partem para criar uma nova cidade. Nasce a discórdia. Rômulo funda Roma e o irmão, enfurecido, o desafia. Rômulo vence e torna-se o primeiro rei da joia do Lácio.
Parcela significativa dos especialistas jamais aceitou Corbucci. Mas fico ao lado de Jean Tulard, autor de Dicionário de Cinema - Os Diretores. Corbucci é um bom contador de histórias e que, apesar do material que tinhas nas mãos, fez um bom trabalho, afirmou Tulard.
Sergio Leone, realizador de Por um Punhado e Dólares, Era Uma Vez no Oeste e Era Uma Vez na América, hoje cultuado com razão por críticos e cinéfilos, vem do mesmo meio de Corbucci. Aliás, Leone é um dos oito roteiristas de Rômulo e Remo.
Este espaço é sobre cinema clássico, de obras consagradas a esquecidas. Dedico a meus pais, que, nas longínquas noites de Santa Maria (RS) do final dos anos 70 e início dos 80, permitiam que eu visse filmes na TV. Foi quando descobri o grande espetáculo – Ben-Hur, Cleópatra, El Cid, Lawrence da Arábia, Doutor Jivago. Parafraseando o escritor argentino Jorge Luis Borges, foram os primeiros que vi, e, possivelmente, serão os últimos.
sábado, 30 de junho de 2012
quinta-feira, 28 de junho de 2012
El Cid
Rever El Cid (Estados Unidos-Itália, 1961) será sempre prazeroso. Realizado pelo mestre do western Anthony Mann, o épico narra a saga de El Cid, lendário herói espanhol da Reconquista, movimento católico de recuperação das terras da Península Ibérica sob domínio muçulmano. Tal poder se estende do século 8 a 1492, quando cai o último reduto mouro, Granada.
A história começa em 1080. Forças católicas e islâmicas se enfrentam. Charlton Heston interpreta o nobre Rodrigo Díaz de Bivar, o El Cid (em árabe, cid significa senhor). Acusado de traição por ter libertado inimigos, El Cid mata o campeão do rei de Castela, pai de Ximena (Sophia Loren), sua noiva. Ele mesmo acaba por se tornar campeão do monarca.
A desgraça chega a Rodrigo. Parte para o exílio. Mas novamente nos braços de Ximena, que lhe perdoa, recebe o apoio de tropas dispostas a segui-lo, mesmo banido. Ameaçados por invasores oriundos da África do Norte, cristãos e mouros unem-se, por meio de El Cid, contra o inimigo comum. Justo, piedoso, leal e corajoso, capaz de humilhar um soberano e de saciar a sede de um leproso, o personagem angaria admiradores por onde passa.
O longa tem vários pontos altos. Admirável o duelo pela cidade de Caloharra, que coloca frente a frente Heston e o representante do reino de Aragão. Igualmente as sequências que envolvem os cercos a Valência.
Famoso pelas atuações em superproduções, como Os Dez Mandamentos (1956) e Ben-Hur (1959), Heston mostra aguda maturidade no filme de Mann. Deve-se registrar que o astro trabalhou, em 1958, no sensacional A Marcada da Maldade, dirigido por Orson Welles.
A Espanha moura foi um período singular da história. No território, onde cristãos, judeus e mulçumanos viveram pacificamente, floresceu uma cultura esplendorosa, de poetas, filósofos e cientistas.
O comovente romance Sombras da Romazeira, de Tariq Ali, descreve os derradeiros momentos da Granada mourisca. O livro saiu no Brasil pela editora Record.
A história começa em 1080. Forças católicas e islâmicas se enfrentam. Charlton Heston interpreta o nobre Rodrigo Díaz de Bivar, o El Cid (em árabe, cid significa senhor). Acusado de traição por ter libertado inimigos, El Cid mata o campeão do rei de Castela, pai de Ximena (Sophia Loren), sua noiva. Ele mesmo acaba por se tornar campeão do monarca.
A desgraça chega a Rodrigo. Parte para o exílio. Mas novamente nos braços de Ximena, que lhe perdoa, recebe o apoio de tropas dispostas a segui-lo, mesmo banido. Ameaçados por invasores oriundos da África do Norte, cristãos e mouros unem-se, por meio de El Cid, contra o inimigo comum. Justo, piedoso, leal e corajoso, capaz de humilhar um soberano e de saciar a sede de um leproso, o personagem angaria admiradores por onde passa.
O longa tem vários pontos altos. Admirável o duelo pela cidade de Caloharra, que coloca frente a frente Heston e o representante do reino de Aragão. Igualmente as sequências que envolvem os cercos a Valência.
Famoso pelas atuações em superproduções, como Os Dez Mandamentos (1956) e Ben-Hur (1959), Heston mostra aguda maturidade no filme de Mann. Deve-se registrar que o astro trabalhou, em 1958, no sensacional A Marcada da Maldade, dirigido por Orson Welles.
A Espanha moura foi um período singular da história. No território, onde cristãos, judeus e mulçumanos viveram pacificamente, floresceu uma cultura esplendorosa, de poetas, filósofos e cientistas.
O comovente romance Sombras da Romazeira, de Tariq Ali, descreve os derradeiros momentos da Granada mourisca. O livro saiu no Brasil pela editora Record.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
O Homem que Ri
Obra sensível, O Homem que Ri (Estados Unidos, 1928, mudo) tem nos créditos dois nomes importantes do movimento expressionista alemão: o diretor Paul Leni e o ator Conrad Veidt. Baseado no romance homônimo de Victor Hugo, o longa emociona.
Inglaterra, século 17. Vingativo, o rei Jaime II sequestra e vende o filho de um nobre rebelde, morto dentro da dama de ferro, instrumento de tortura e execução. O rosto da criança é desfigurado, esculpindo-se na face um perpétuo sorriso. O pequeno, herdeiro de um ducado, torna-se atração circense, o famoso palhaço Gwynplaine (Veidt). Após ser reconhecido como legítimo sucessor, o herói, insatisfeito com a hipocrisia aristocrática, terá de fugir para viver com os seus. Diante da hostilidade, Gwynplaine reafirma a dignidade do homem.
No curso da tragédia, às vezes, existe salvação. No amor da atriz cega Dea (Mary Philbin) ele encontra a chance de ser feliz.
Atuação extraordinária de Veidt. A caracterização de Gwynplaine originou o personagem Coringa, arqui-inimigo de Batman.
Mítico ator, Veidt (1893-1943) celebrizou-se no papel de Cesare, o sonâmbulo assassino de O Gabinete do Doutor Caligari (1920). O último sucesso foi Casablanca (1942), na pele do major alemão Strasser – Veidt recebeu o maior cachê do elenco.
Inglaterra, século 17. Vingativo, o rei Jaime II sequestra e vende o filho de um nobre rebelde, morto dentro da dama de ferro, instrumento de tortura e execução. O rosto da criança é desfigurado, esculpindo-se na face um perpétuo sorriso. O pequeno, herdeiro de um ducado, torna-se atração circense, o famoso palhaço Gwynplaine (Veidt). Após ser reconhecido como legítimo sucessor, o herói, insatisfeito com a hipocrisia aristocrática, terá de fugir para viver com os seus. Diante da hostilidade, Gwynplaine reafirma a dignidade do homem.
No curso da tragédia, às vezes, existe salvação. No amor da atriz cega Dea (Mary Philbin) ele encontra a chance de ser feliz.
Atuação extraordinária de Veidt. A caracterização de Gwynplaine originou o personagem Coringa, arqui-inimigo de Batman.
Mítico ator, Veidt (1893-1943) celebrizou-se no papel de Cesare, o sonâmbulo assassino de O Gabinete do Doutor Caligari (1920). O último sucesso foi Casablanca (1942), na pele do major alemão Strasser – Veidt recebeu o maior cachê do elenco.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Ver-te-ei no Inferno
Sean Connery e Richard Harris estão à frente do elenco de Ver-te-ei no Inferno (The Molly Maguires, Estados Unidos, 1970). O drama é dirigido por Martin Ritt, o mesmo de O Indomado.
No Estado da Pinsilvânia (EUA), em 1876, um série de atos de sabotagem ocorre em minas de carvão onde trabalham imigrantes irlandeses. A primeira cena, que dura pouco menos de 10 minutos, ilustra essa estratégia e o tom da película.
Esse plano de resistência é levado a cabo por um grupo de mineiros (os molly maguires), cujo líder é Jack Kehoe (Connery). As condições de vida são aviltantes. A atividade de extrair o minério, duríssima. Os salários, irrisórios. Crianças laboram nas jazidas.
A fim de identificar os integrantes da organização, a polícia envia um agente, James McParlan (Harris). O investigador deverá se infiltrar entre os trabalhadores e identificar os militantes. Apesar de alguma simpatia com os molly maguires, McParlan cumprirá a missão.
A Igreja condena a facção de Kehoe. O padre do vilarejo afirma que eles irão para o "inferno". Mas, na razão e sentimento de cada explorado, a vida de quem deve descer às minas para sobreviver também é infernal. Por isso, a luta, independente do desfecho.
O francês Émile Zola escreveu Germinal, livro que narra uma greve de mineiros na França no século 19. Nele, os desafios da organização embrionária da classe operária são descritos com arte e exatidão. O filme Germinal com Gérard Depardieu e direção de Claude Berri (Bélgica-França-Itália, 1993) é uma ótima adaptação.
No Estado da Pinsilvânia (EUA), em 1876, um série de atos de sabotagem ocorre em minas de carvão onde trabalham imigrantes irlandeses. A primeira cena, que dura pouco menos de 10 minutos, ilustra essa estratégia e o tom da película.
Esse plano de resistência é levado a cabo por um grupo de mineiros (os molly maguires), cujo líder é Jack Kehoe (Connery). As condições de vida são aviltantes. A atividade de extrair o minério, duríssima. Os salários, irrisórios. Crianças laboram nas jazidas.
A fim de identificar os integrantes da organização, a polícia envia um agente, James McParlan (Harris). O investigador deverá se infiltrar entre os trabalhadores e identificar os militantes. Apesar de alguma simpatia com os molly maguires, McParlan cumprirá a missão.
A Igreja condena a facção de Kehoe. O padre do vilarejo afirma que eles irão para o "inferno". Mas, na razão e sentimento de cada explorado, a vida de quem deve descer às minas para sobreviver também é infernal. Por isso, a luta, independente do desfecho.
O francês Émile Zola escreveu Germinal, livro que narra uma greve de mineiros na França no século 19. Nele, os desafios da organização embrionária da classe operária são descritos com arte e exatidão. O filme Germinal com Gérard Depardieu e direção de Claude Berri (Bélgica-França-Itália, 1993) é uma ótima adaptação.
domingo, 24 de junho de 2012
O Gavião do Mar
Típico capa e espada, O Gavião do Mar (Estados Unidos, 1940) é mais um clássico de aventura dirigido por Michael Curtiz e estrelado por Errol Flynn. A trama, que se passa em 1585, envolve o espectador – do início ao fim.
Flynn é o capitão Geoffrey Thorpe, um dos gaviões do mar, corsários a serviço da rainha inglesa Elizabeth I (Flora Robson). À época, a Inglaterra tenta resistir à expansão da Espanha, principal potência mundial. Em missão no Panamá, Thorpe e a tripulação do navia Albatroz caem em uma armadilha. Tornam-se prisioneiros dos espanhóis. Quando conseguem fugir, descobrem um plano de Madri para atacar a ilha.
Claro, não poderia faltar dose de romance. Em uma abordagem, Thorpe apaixona-se por dona Maria (a bela Brenda Marshall), sobrinha do embaixador da Espanha na corte inglesa, don José Alvarez de Cordoba (Claude Rains).
A película de Curtiz pode ser incluída na lista das obras do chamado esforço de guerra, como Casablanca (Estados Unidos, 1942). No ano em que O Gavião do Mar foi feito, 1940, o mundo vivia sob a agressão nazista. A Inglaterra, particularmente, resistia aos ataques alemães.
Há, na realização de Curtiz, um claro paralelo. Por isso a fala de Elizabeth I, no final do longa, ganha uma dimensão histórica especial. Reproduzo parte, pois vale a pena: "E agora, meus leais súditos, um terrível dever nos confronta. A preparação de nosso país para uma guerra que ninguém deseja, muito menos sua rainha. Tentamos por todos os meios evitar essa guerra. Não temos disputas com o povo da Espanha ou com qualquer outro povo".
E continua, agora com implícita menção a Hitler: "Mas quando a ambição impiedosa de um homem ameaça capturar o mundo, torna-se obrigação solene de todos os homens livres afirmar que a Terra pertence não só a um homem, mas a todos os homens. E que a liberdade é o compromisso para com o solo em que vivemos. (...)".
Elizabeth I, então, apresenta a nova Marinha real, que vencerá a Grande Armada espanhola, de Filipe II.
Flynn é o capitão Geoffrey Thorpe, um dos gaviões do mar, corsários a serviço da rainha inglesa Elizabeth I (Flora Robson). À época, a Inglaterra tenta resistir à expansão da Espanha, principal potência mundial. Em missão no Panamá, Thorpe e a tripulação do navia Albatroz caem em uma armadilha. Tornam-se prisioneiros dos espanhóis. Quando conseguem fugir, descobrem um plano de Madri para atacar a ilha.
Claro, não poderia faltar dose de romance. Em uma abordagem, Thorpe apaixona-se por dona Maria (a bela Brenda Marshall), sobrinha do embaixador da Espanha na corte inglesa, don José Alvarez de Cordoba (Claude Rains).
A película de Curtiz pode ser incluída na lista das obras do chamado esforço de guerra, como Casablanca (Estados Unidos, 1942). No ano em que O Gavião do Mar foi feito, 1940, o mundo vivia sob a agressão nazista. A Inglaterra, particularmente, resistia aos ataques alemães.
Há, na realização de Curtiz, um claro paralelo. Por isso a fala de Elizabeth I, no final do longa, ganha uma dimensão histórica especial. Reproduzo parte, pois vale a pena: "E agora, meus leais súditos, um terrível dever nos confronta. A preparação de nosso país para uma guerra que ninguém deseja, muito menos sua rainha. Tentamos por todos os meios evitar essa guerra. Não temos disputas com o povo da Espanha ou com qualquer outro povo".
E continua, agora com implícita menção a Hitler: "Mas quando a ambição impiedosa de um homem ameaça capturar o mundo, torna-se obrigação solene de todos os homens livres afirmar que a Terra pertence não só a um homem, mas a todos os homens. E que a liberdade é o compromisso para com o solo em que vivemos. (...)".
Elizabeth I, então, apresenta a nova Marinha real, que vencerá a Grande Armada espanhola, de Filipe II.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
O Indomado
O Indomado (Hud, Estados Unidos, 1963), de Martin Ritt, é um trabalho ilustre na trajetória de Paul Newman. À época, já era um astro consagrado, tendo no currículo filmes como Gata em Teto de Zinco Quente (1958), Exodus (1960) e Desafio à Corrupção (1961).
Hud Bannon (Newman) é um indomado, explosivo e egoísta filho de um velho fazendeiro do Texas, Homer Bannon (Melvyn Douglas). Hud, mergulhado no álcool e em aventuras amorosas, vive em permanente conflito com o pai. O neto de Homer e sobrinho do personagem princial, Lonnie Bannon (Brandon De Wilde, o pequeno Joey Starrett, de Os Brutos Também Amam), idolatra o tio. O pai de Lonnie morreu em um acidente de automóvel, causado pela imprudência de Hud. Completa o quadro familiar Alma Brown (a ótima Patricia Neal, de Bonequinha de Luxo), empregada doméstica – Newman tenta seduzi-la constantemente.
Na espiral que envolve pai e filho, as agressões aumentam de intensidade. "Você é um homem sem princípios, Hud", acusa Homer. Após um bate-boca com Hud, o patriarca diz para o neto: "Às vezes, os velhos são duros como as suas artérias".
Cena de extrema tensão ocorre quando Hud, após beber e brigar com o pai, tenta violentar Alma. Devido à intervenção de Lonnie, o ato não se consuma.
Aos poucos, todos abandonarão, de um jeito ou de outro, Hud.
Indicado a sete categorias do Oscar, o drama venceu três: Melhor Ator Coadjuvante (Douglas), Melhor Atriz (Patricia) e Melhor Fotografia – a película é em preto e branco.
Mitt teve problemas com o macartismo, onda anticomunista que abalou os Estados Unidos durante os anos 40 e 50. A fim de manter-se em atividade, deu aulas no Actors Studio, escola de interpretação localizada em Nova York. Entre seus alunos, Newman e James Dean.
Mitt dirigiu Norma Rae (1979), sobre o movimento sindical, e Ver-te-ei no Inferno (1970), a respeito da luta de mineiros irlandeses na Pensilvânia – para muitos críticos, sua melhor realização.
Hud Bannon (Newman) é um indomado, explosivo e egoísta filho de um velho fazendeiro do Texas, Homer Bannon (Melvyn Douglas). Hud, mergulhado no álcool e em aventuras amorosas, vive em permanente conflito com o pai. O neto de Homer e sobrinho do personagem princial, Lonnie Bannon (Brandon De Wilde, o pequeno Joey Starrett, de Os Brutos Também Amam), idolatra o tio. O pai de Lonnie morreu em um acidente de automóvel, causado pela imprudência de Hud. Completa o quadro familiar Alma Brown (a ótima Patricia Neal, de Bonequinha de Luxo), empregada doméstica – Newman tenta seduzi-la constantemente.
Na espiral que envolve pai e filho, as agressões aumentam de intensidade. "Você é um homem sem princípios, Hud", acusa Homer. Após um bate-boca com Hud, o patriarca diz para o neto: "Às vezes, os velhos são duros como as suas artérias".
Cena de extrema tensão ocorre quando Hud, após beber e brigar com o pai, tenta violentar Alma. Devido à intervenção de Lonnie, o ato não se consuma.
Aos poucos, todos abandonarão, de um jeito ou de outro, Hud.
Indicado a sete categorias do Oscar, o drama venceu três: Melhor Ator Coadjuvante (Douglas), Melhor Atriz (Patricia) e Melhor Fotografia – a película é em preto e branco.
Mitt teve problemas com o macartismo, onda anticomunista que abalou os Estados Unidos durante os anos 40 e 50. A fim de manter-se em atividade, deu aulas no Actors Studio, escola de interpretação localizada em Nova York. Entre seus alunos, Newman e James Dean.
Mitt dirigiu Norma Rae (1979), sobre o movimento sindical, e Ver-te-ei no Inferno (1970), a respeito da luta de mineiros irlandeses na Pensilvânia – para muitos críticos, sua melhor realização.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
O Baile
O Baile (Le Bal, 1983), produção da França, Itália e Argélia, é uma das realizações mais inteligentes da sétima arte. Dirigido pelo italiano Ettore Scola (Feios, Sujos e Malvados e A Viagem do Capitão Tornado, entre outros), a película, sem diálogos verbais, causou frisson, colhendo aplausos e prêmios. Perfeita combinação de interpretação, direção, roteiro e fotografia.
Gravado em um único cenário, um salão de baile, a obra narra parte da história da França no século 20, dos anos 1930 à década de 80. Fatos marcantes, como a vitória da Frente Popular (coalização de socialistas e comunistas), a ocupação nazista e o Maio de 1968, são referidos. Tudo acompanhado por danças, músicas e ritmos da respectiva época. O elenco é composto pela trupe do Théatre du Campagnol. Aproximadamente 25 atores se revezam em cena, representando cerca de 140 personagens.
Há emoção, humor (as gags são muito engraçadas), nostagia e tristeza – afinal, certa hora a festa acaba, e muitos vão sozinhos para casa.
Durante o labor, Scola sofreu um ataque cardíaco. O longa foi retomado após a sua recuperação. Em 1984, Scola recebeu pelo trabalho o Urso de Prata no Festival de Berlim.
O Baile é inesquecível. Uma façanha.
Gravado em um único cenário, um salão de baile, a obra narra parte da história da França no século 20, dos anos 1930 à década de 80. Fatos marcantes, como a vitória da Frente Popular (coalização de socialistas e comunistas), a ocupação nazista e o Maio de 1968, são referidos. Tudo acompanhado por danças, músicas e ritmos da respectiva época. O elenco é composto pela trupe do Théatre du Campagnol. Aproximadamente 25 atores se revezam em cena, representando cerca de 140 personagens.
Há emoção, humor (as gags são muito engraçadas), nostagia e tristeza – afinal, certa hora a festa acaba, e muitos vão sozinhos para casa.
Durante o labor, Scola sofreu um ataque cardíaco. O longa foi retomado após a sua recuperação. Em 1984, Scola recebeu pelo trabalho o Urso de Prata no Festival de Berlim.
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