quinta-feira, 6 de junho de 2013

Um Dia Muito Especial

No dia 3 de maio de 1938, o ditador nazista Adolf Hitler visitou o colega fascista Benito Mussolini em Roma. Uma multidão entusiasmada recebeu o líder alemão nas ruas da capital italiana. Nessa data, dois personagens fictícios se conhecem: a dona de casa Antonietta (Sophia Loren), infeliz no matrimônio, e o radialista Gabrielle (Marcello Mastroianni), homossexual que recentemente fora demitido.

O encontro de algumas horas entre Antonietta e Gabrielle é narrado no excelente Um Dia Muito Especial (Una Giornata Particolare, Canadá-Itália, 1977), do prestigiado diretor Ettore Scola. O longa ganhou prêmios internacionais, entre eles o francês César de melhor filme estrangeiro e o italiano David di Donatello, nas categorias de melhor filme e melhor atriz (Sophia Loren).

Antonietta mora com a família num conjunto habitacional. O marido, machista e filiado ao partido fascista, e os seis filhos saem para participar da parada em homenagem a Hitler. Sozinha e deprimida, ela conhece, de forma inusitada, o vizinho Gabrielle e se sente atraída por ele.


Drama transcorre na época da Itália fascista

A história de Gabrielle desconcerta a mulher. Culto e antifascista, o radialista perdeu o emprego em decorrência de sua condição sexual. O regime de extrema-direita não admite a diferença, perseguindo quem não se enquadra nas regras vigentes. As primeiras leis antissemitas de Mussolini, por exemplo, foram promulgadas em 1938.

Scola utiliza imagens e sons da época para reforçar o tom realista da película. Momentos dramáticos pontuam a obra. A cena do terraço, em meio a lençóis brancos pendurados para secar, impressiona. A passagem é decisiva para a trama.

Reconhecido como um dos principais cineastas italianos, Scola realizou trabalhos notáveis. Nós que Nos Amávamos Tanto (1974),  Feios, Sujos e Malvados (1976), O Baile (1983) – seu melhor filme – e A Viagem do Capitão Tornado (1991) são destaques na carreira do diretor.    

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